A violência contra as mulheres ganhou espaço no debate eleitoral com o lançamento da campanha Vote Segura, iniciativa da Rede Justiça Criminal que busca estimular os candidatos ao Congresso Nacional a assumir compromissos efetivos com a segurança feminina.
A organização elaborou um guia com 11 recomendações para orientar a criação de políticas públicas, projetos de lei e ações de fiscalização capazes de enfrentar a violência de gênero no Brasil.
A mobilização ocorre em meio a um cenário preocupante. Dados de canais oficiais indicam que o país registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o equivalente a pelo menos quatro mulheres assassinadas por dia em crimes motivados por questões de gênero. Além disso, para cada feminicídio consumado, outros três foram tentados.
A campanha pretende qualificar as discussões durante o período eleitoral e incentivar propostas que vão além de medidas emergenciais. A ideia é fortalecer políticas permanentes, com planejamento, metas claras e mecanismos para acompanhar os resultados. O tema ganha ainda mais relevância diante da participação feminina na população brasileira, que representa 51,5% dos cerca de 213,4 milhões de habitantes do país.
Guia apresenta 11 caminhos para enfrentar a violência
O documento elaborado pela Rede Justiça Criminal reúne orientações para que futuros parlamentares desenvolvam iniciativas com impacto real na prevenção e no combate à violência contra as mulheres.
Entre as recomendações estão a priorização de ações preventivas, sem abandonar a responsabilização dos agressores, e a criação de políticas públicas permanentes, em vez de iniciativas isoladas. O material também destaca a necessidade de melhorar a cooperação entre União, estados e municípios e integrar diferentes áreas do poder público.
Outro ponto importante é o uso de dados confiáveis para embasar decisões e a criação de mecanismos contínuos de monitoramento e avaliação. O guia também defende transparência na aplicação dos recursos, participação da sociedade no controle das políticas e critérios objetivos para definir a distribuição de verbas públicas.
A lista inclui ainda a adoção de uma perspectiva de direitos humanos, a definição de metas mensuráveis e a rejeição de propostas legislativas meramente simbólicas, que não apresentem resultados concretos para a população.
A intenção é incentivar medidas duradouras que combinem prevenção, atendimento às vítimas e responsabilização dos responsáveis pelos crimes.
Insegurança afeta hábitos e decisões das mulheres
A coordenadora executiva da Rede Justiça Criminal, Janine Salles de Carvalho, destaca que o medo da violência interfere diretamente na rotina de muitas brasileiras.
Entre os exemplos estão mudar trajetos e horários, compartilhar a localização em tempo real durante deslocamentos noturnos e manter uma preocupação constante com a própria segurança. Essas situações mostram como a violência e o risco de agressões limitam a liberdade das mulheres no dia a dia.
Na avaliação de Janine, a insegurança também pode ser utilizada como tema de exploração política durante as eleições. Por isso, o enfrentamento do problema precisa ir além do aumento do policiamento e do número de prisões.
A campanha defende estratégias capazes de atuar sobre as causas da violência e prevenir os crimes antes que aconteçam. Para isso, considera fundamental que os candidatos apresentem compromissos acompanhados de planejamento, objetivos verificáveis e instrumentos de fiscalização.
Eleitores também podem cobrar compromissos concretos
Com a publicação do guia, a Rede Justiça Criminal busca oferecer referências para que os eleitores analisem as propostas dos candidatos relacionadas à segurança das mulheres.
A iniciativa ressalta que o combate à violência de gênero depende da articulação entre diferentes setores do poder público, do uso de informações confiáveis e da avaliação contínua das políticas implementadas.
A expectativa é que as recomendações contribuam para ampliar o debate eleitoral e estimular os futuros parlamentares a assumir compromissos que possam ser acompanhados pela sociedade. O objetivo é transformar as promessas de campanha em medidas efetivas de prevenção, proteção e enfrentamento à violência contra as mulheres brasileiras.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
