O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) e a Polícia Civil investigam as circunstâncias de um vídeo que mostra um menino de 9 anos segurando objetos semelhantes a armas de fogo durante uma comemoração eleitoral em Parnamirim, na Região Metropolitana de Natal. As imagens foram registradas no domingo (4), após o primeiro turno das eleições de 2026.
Na gravação, compartilhada nas redes sociais, a criança aparece dançando sobre o teto de um veículo enquanto levanta um objeto parecido com uma pistola. Em outro momento, o menino segura um objeto que se assemelha a um fuzil.
A comemoração ocorreu após a divulgação do resultado da eleição presidencial. Em Parnamirim, terceiro maior colégio eleitoral do Rio Grande do Norte, Flávio Bolsonaro recebeu a maioria dos votos.
Até o momento, não há confirmação de que os objetos exibidos nas imagens sejam armas de fogo verdadeiras. A identificação dos materiais é um dos pontos relevantes para a apuração das possíveis responsabilidades.
Criança apresenta sofrimento emocional após repercussão
O caso também passou a ser acompanhado pelo Conselho Tutelar. Em depoimento ao órgão, a mãe informou que o filho estava sob os cuidados do pai durante o fim de semana e afirmou desconhecer o episódio.
Segundo a conselheira tutelar Amanda Melo, a exposição do vídeo provocou consequências emocionais para o menino, que passou a enfrentar dificuldades para frequentar a escola depois de ser reconhecido pelos colegas.
A conselheira relatou que a criança apresenta episódios frequentes de choro e foi encaminhada para acompanhamento psicológico, com orientação à família.
Polícia identifica responsáveis e inicia diligências
Em nota, a Polícia Civil do Rio Grande do Norte informou que os responsáveis pela criança foram identificados e que as diligências para esclarecer o episódio já começaram.
A corporação não divulgou detalhes adicionais, justificando que a investigação permanece em andamento.
O Ministério Público também acompanha o caso para avaliar eventuais violações aos direitos da criança e possíveis responsabilidades dos adultos envolvidos.
Pais podem responder judicialmente
A professora de Direito Constitucional Aline Juliete explica que o episódio pode apresentar consequências criminais e civis, dependendo das circunstâncias e da natureza dos objetos utilizados.
O Estatuto do Desarmamento prevê pena de reclusão de três a seis anos para quem vender, fornecer ou entregar arma de fogo, acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente, nas hipóteses previstas em lei.
Entretanto, a eventual aplicação dessa legislação depende da comprovação de que houve entrega de arma de fogo ou outro material abrangido pela norma. Caso os objetos sejam simulacros, a análise jurídica será diferente.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) também estabelece medidas de proteção para situações em que crianças sejam expostas a riscos ou tenham seus direitos ameaçados.
Além da investigação criminal, os responsáveis podem ser submetidos a medidas de orientação e acompanhamento, conforme a avaliação dos órgãos competentes.
Exposição nas redes sociais preocupa autoridades
A ampla circulação das imagens acrescentou outra dimensão ao episódio: a proteção da identidade e da integridade emocional do menino.
Especialistas destacam que a exposição pública de crianças em situações potencialmente constrangedoras pode provocar consequências psicológicas, especialmente quando o conteúdo se espalha entre colegas de escola e pessoas próximas.
O Conselho Tutelar acompanha a situação, enquanto as autoridades trabalham para esclarecer quem disponibilizou os objetos, quais eram suas características e em que condições a criança participou da comemoração.
A investigação prossegue, sem conclusão anunciada sobre eventual responsabilidade criminal dos adultos envolvidos.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
