Um novo laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo reforçou a investigação sobre a morte da soldado Gisele Alves Santana. O exame complementar, concluído nesta semana, aponta que os elementos encontrados no apartamento onde a policial foi morta não são compatíveis com a hipótese de suicídio e indicam a possível participação de outra pessoa.
Entre os pontos analisados pelos peritos estão os padrões das manchas de sangue encontrados no imóvel. Segundo a avaliação técnica, o conjunto das evidências objetivas identificadas na cena não sustenta a versão de que a morte tenha ocorrido em um episódio de suicídio.
O tenente-coronel Geraldo Neto, companheiro de Gisele e réu pelo feminicídio da policial, continua preso preventivamente.
Morte inicialmente foi registrada como suicídio
Gisele Alves Santana foi encontrada morta em 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com Geraldo Neto, em São Paulo. Ela apresentava um ferimento provocado por disparo de arma de fogo na cabeça.
Na ocasião, o próprio tenente-coronel chamou o socorro e relatou que a policial teria cometido suicídio. Com o avanço da investigação e o surgimento de novos elementos, porém, a hipótese passou a ser questionada pelas autoridades.
Um mês depois da morte, em 18 de março, Geraldo Neto foi preso em São José dos Campos, no interior paulista. Desde então, ele permanece em prisão preventiva no Presídio Militar Romão Gomes, na capital.
Exames já haviam identificado lesões
A família de Gisele não aceitou desde o início a versão de suicídio e apontou elementos que, segundo os familiares, precisavam ser investigados.
Exames realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) identificaram lesões no rosto e na região cervical da soldado. Os registros periciais descreveram marcas consideradas compatíveis com pressão exercida por dedos e escoriações provocadas por unha.
Esses achados passaram a integrar o conjunto de informações analisadas na tentativa de esclarecer o que aconteceu antes da morte.
Outro ponto investigado foi o tempo entre o disparo e o acionamento do socorro. Uma vizinha relatou ter ouvido o tiro, enquanto, segundo a investigação, o pedido de atendimento teria sido feito por Geraldo Neto aproximadamente meia hora depois.
Defesa da família diz que laudo reforça suspeitas
O advogado José Miguel Silva Júnior, que representa os familiares de Gisele, afirmou que a nova conclusão pericial está alinhada com a hipótese sustentada pela família desde o início da investigação.
Segundo o advogado, exames anteriores já haviam apresentado informações que colocavam em dúvida a possibilidade de suicídio. Ele também mencionou o depoimento de uma perita que teria afirmado que Gisele não teria condições de provocar a própria morte da maneira inicialmente descrita.
Durante o processo, a defesa do tenente-coronel apresentou questionamentos à perícia. Os quesitos foram respondidos pelos especialistas responsáveis pelos exames, e, de acordo com o representante da família, as respostas acrescentaram elementos à investigação.
Apesar das conclusões periciais, a responsabilidade criminal de Geraldo Neto ainda depende do andamento do processo e da análise das provas pela Justiça.
Interrogatório foi adiado novamente
O interrogatório de Geraldo Neto estava marcado para a próxima terça-feira (8), mas acabou sendo adiado mais uma vez. A nova previsão é que o depoimento seja realizado em outubro.
A defesa do tenente-coronel foi procurada para comentar o novo laudo e o adiamento do interrogatório, mas não havia apresentado manifestação até o fechamento desta reportagem.
*Da Agência Fonte Exclusiva
