A amamentação oferece benefícios que vão muito além da nutrição do bebê. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o aleitamento materno também exerce um importante efeito protetor sobre a saúde cardiovascular da mulher, contribuindo para reduzir o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outras doenças do coração.
Dados da entidade mostram que mulheres que amamentam apresentam cerca de 11% menos probabilidade de desenvolver doenças cardiovasculares em comparação com aquelas que não passaram pelo período de lactação. Os estudos também indicam que os benefícios aumentam conforme o tempo de amamentação.
Segundo pesquisas reunidas pela SBC, aproximadamente 18 meses de aleitamento estão associados à redução de 12% no risco de AVC e de 14% na ocorrência de infarto. Especialistas ressaltam que esses números representam um efeito de proteção proporcionado pela amamentação, sem significar que mulheres que não amamentaram desenvolverão, necessariamente, problemas cardíacos.
Durante a gravidez, o organismo feminino passa por mudanças hormonais e metabólicas importantes, como aumento da resistência à insulina, elevação do colesterol e maior concentração de gorduras circulantes. Após o parto, a amamentação auxilia o corpo a restabelecer esse equilíbrio, favorecendo a recuperação dessas alterações fisiológicas.
Entre os efeitos observados estão a melhora da utilização da glicose, o aumento da sensibilidade à insulina e a diminuição do risco de diabetes. A produção de leite também contribui para reduzir a pressão arterial e a frequência cardíaca, diminuindo a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular.
Outro fator importante é a ação dos hormônios liberados durante a lactação. Substâncias como ocitocina, prolactina, glicocorticoides, grelina e hormônio do crescimento exercem funções que ajudam a proteger o músculo cardíaco e a preservar o funcionamento dos vasos sanguíneos.
A ocitocina, conhecida por seu papel na amamentação e no fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê, também favorece a dilatação das artérias, melhora a circulação sanguínea e protege o coração em situações de baixa oxigenação. Esses efeitos contribuem para reduzir fatores associados às doenças cardiovasculares.
Além disso, durante a gestação o organismo cria reservas naturais de gordura para atender às necessidades da gravidez e da produção de leite. Na fase de amamentação, esses estoques são utilizados como fonte de energia para a lactação, o que também auxilia na redução do risco de problemas cardíacos.
As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte entre mulheres no Brasil. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, elas respondem por cerca de 33% dos óbitos femininos, superando inclusive as mortes provocadas pelo câncer de mama.
Embora fatores como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo e sedentarismo afetem homens e mulheres, especialistas alertam que existem condições exclusivamente femininas que também aumentam o risco cardiovascular. Entre elas estão menopausa precoce, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, uso de anticoncepcionais hormonais e complicações durante a gestação, como hipertensão gestacional, diabetes gestacional e nascimento de bebês com baixo peso.
O tema ganhou ainda mais destaque durante a Semana Mundial do Aleitamento Materno 2026, celebrada dentro da campanha Agosto Dourado. A iniciativa busca incentivar a proteção, a promoção e o apoio à amamentação, destacando seus impactos positivos tanto para a saúde das mães quanto para o desenvolvimento infantil.
Além da proteção cardiovascular feminina, o leite materno fortalece o sistema imunológico do bebê, favorece o crescimento saudável, melhora o desenvolvimento da arcada dentária, facilita a introdução alimentar e fortalece o vínculo afetivo entre mãe e filho. A amamentação também representa economia para as famílias ao reduzir a necessidade de fórmulas infantis e outros suplementos.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
