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Home Política
Governo argentino decide não ampliar crise diplomática com o Brasil e busca preservar o comércio, apesar dos novos ataques de Javier Milei a Lula.

Imagem: Reprodução/ AP / Ettore Chiereguini/ Via RT

Argentina evita ampliar crise diplomática com Brasil

Casa Rosada descarta novas medidas formais, mas Milei mantém discurso de confronto e articulação com lideranças da direita latino-americana.

redacao Por redacao
29/07/2026 - 12:49
em Política
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O governo da Argentina decidiu evitar novas medidas que possam agravar a crise diplomática com o Brasil. Apesar das recentes declarações de Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes das instituições brasileiras, a Casa Rosada não pretende enviar uma nota formal de protesto nem iniciar novas ações diplomáticas relacionadas ao episódio.

A orientação foi divulgada pelo canal argentino TN. Segundo o veículo, a administração argentina espera que a tensão perca intensidade e procura impedir que a disputa política entre os presidentes alcance o comércio bilateral ou o funcionamento do Mercosul.

A posição foi reforçada pelo porta-voz presidencial argentino, Adrián Ravier. Ele classificou as diferenças entre Milei e Lula como políticas e ideológicas, mas afirmou que o governo argentino não pretende transferir esse confronto para o campo diplomático.

Na avaliação atribuída à Casa Rosada, Brasil e Argentina continuam sendo parceiros econômicos fundamentais. Por esse motivo, o intercâmbio comercial deverá permanecer separado dos ataques públicos e das divergências existentes entre os dois governos.

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A estratégia argentina, entretanto, não representa uma mudança no discurso de Milei. O presidente não pretende pedir desculpas ou reduzir o tom de suas manifestações. A orientação é conter os efeitos diplomáticos da crise, mantendo ao mesmo tempo a confrontação política.

Brasil reagiu aos ataques de Milei

A tensão aumentou depois que Milei participou, em São Paulo, de um evento político em apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro.

Durante a passagem pelo Brasil, o presidente argentino chamou Lula de “ladrão” e “presidiário” e também fez declarações ofensivas contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Milei ainda criticou decisões judiciais relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O governo brasileiro reagiu oficialmente. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, convocou o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para transmitir o repúdio do Brasil e cobrar explicações sobre o comportamento do presidente estrangeiro em território nacional.

O Itamaraty também chamou para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores classificou as manifestações como agressões contra o chefe de Estado, as instituições democráticas e o povo brasileiro.

A convocação para consultas permite que o representante diplomático retorne temporariamente ao país de origem para avaliar o relacionamento bilateral e discutir os próximos passos com o governo.

Apesar da reação brasileira, a Argentina decidiu não responder com outras iniciativas formais. A orientação interna é evitar novos gestos oficiais e permitir que o episódio perca força com o passar do tempo.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também reagiu aos ataques. Ao comentar o episódio, chamou Milei de “palhaço” e afirmou que indicadores econômicos argentinos, como inflação e risco-país, apresentam situação mais desfavorável que os brasileiros.

A manifestação ampliou o confronto para a área econômica, embora a Casa Rosada sustente que os negócios entre os dois países não deverão ser afetados.

Milei articula bloco regional de direita

Ao mesmo tempo em que tenta impedir uma escalada diplomática, Milei trabalha para ampliar sua influência entre governos e lideranças conservadoras da América Latina.

A estratégia inclui o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro no Brasil e a aproximação com lideranças como Keiko Fujimori, no Peru; Daniel Noboa, no Equador; e Abelardo de la Espriella, na Colômbia.

O presidente argentino participou da posse de Keiko Fujimori e programou encontros e visitas a outros países administrados por forças de direita.

Segundo a avaliação da Casa Rosada, esses movimentos fazem parte da construção de um grupo regional alinhado a políticas de livre mercado, endurecimento das medidas de segurança e aproximação com os Estados Unidos.

A proposta é reproduzir no cenário internacional parte da estratégia utilizada por Milei dentro da Argentina, marcada por forte presença nos debates públicos, confrontos ideológicos e uso da polarização como instrumento de mobilização política.

Nesse contexto, o embate com Lula também contribui para o posicionamento de Milei como uma referência da direita latino-americana. O presidente argentino procura se apresentar como adversário dos governos de esquerda e aliado de candidaturas conservadoras na região.

A visita ao Brasil teve como um dos principais objetivos fortalecer a campanha de Flávio Bolsonaro. Uma eventual vitória do senador seria considerada estratégica para a formação de um eixo regional de governos alinhados às propostas defendidas por Milei.

Relação econômica deve ser preservada

A postura argentina combina duas linhas distintas. No campo político, Milei mantém os ataques públicos, apoia aliados ideológicos e procura aumentar sua influência nas eleições de outros países.

Na área diplomática e comercial, a Casa Rosada tenta impedir que os confrontos provoquem sanções, restrições comerciais ou dificuldades no funcionamento do Mercosul.

O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, e os dois países mantêm relações diplomáticas há mais de dois séculos. Esse vínculo aumenta o custo de uma eventual ruptura e leva os governos a preservar canais institucionais mesmo durante períodos de tensão.

A decisão de não adotar novas medidas formais busca evitar prejuízos para empresas, exportadores, indústrias e demais setores que dependem da integração entre as duas economias.

O episódio, porém, permanece aberto. O governo brasileiro ainda poderá avaliar outras providências depois das explicações apresentadas pela representação argentina e das consultas realizadas com o embaixador Julio Bitelli.

Enquanto o Itamaraty analisa os próximos passos, a Casa Rosada aposta em uma redução gradual da tensão. A estratégia é manter o confronto no campo político, sem permitir que as diferenças entre Milei e Lula comprometam uma das relações econômicas mais importantes da América do Sul.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #AmericaLatina#Argentina#Brasil#CasaRosada#CriseDiplomática#DarioDurigan#Diplomacia#FlavioBolsonaro#Itamaraty#JavierMilei#Lula#MauroVieira#Mercosul#PolíticaInternacional#relaçõesinternacionais
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