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Osteossarcoma em crianças: estudo busca reduzir amputações

Estudo do Into e do INCA analisa células-tronco tumorais para entender por que alguns pacientes jovens respondem melhor ao tratamento.

redacao Por redacao
28/07/2026 - 15:38 - atualizado em 31/07/2026 - 09:10
em Canal VIU
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Uma pequena população de células, equivalente a aproximadamente 1% da massa de um osteossarcoma, pode ajudar a explicar por que algumas crianças e adolescentes respondem à quimioterapia, enquanto outros pacientes apresentam resistência aos medicamentos.

Conhecidas como células-tronco tumorais, essas estruturas são o foco de uma pesquisa conduzida pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad, o Into, em parceria com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, o INCA.

O estudo investiga um dos cânceres ósseos mais agressivos da infância e da adolescência. Apesar dos avanços no tratamento, aproximadamente 30% dos pacientes ainda precisam passar pela amputação do membro atingido.

A pesquisa acompanha oito pacientes atendidos pelo INCA. O objetivo é verificar se a quantidade de células-tronco presente no tumor está relacionada à resposta à quimioterapia aplicada antes da cirurgia.

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Os pesquisadores também procuram identificar se uma concentração elevada dessas células pode indicar maior agressividade, resistência aos medicamentos ou risco de disseminação da doença para outras partes do organismo.

O trabalho é desenvolvido no Centro de Pesquisa em Terapia Celular e Bioengenharia Ortopédica, o CTCel, ligado ao Into. Criado em 2006, o laboratório foi pioneiro no Brasil em pesquisas de terapia celular e medicina regenerativa direcionadas às doenças do aparelho locomotor.

Células são comparadas antes e depois da quimioterapia

As amostras utilizadas no estudo são retiradas dos pacientes em dois momentos. A primeira coleta ocorre durante a biópsia que confirma o diagnóstico. A segunda é feita após aproximadamente 12 semanas de quimioterapia neoadjuvante.

Esse tipo de quimioterapia é realizado antes da cirurgia com o objetivo de reduzir o tamanho do tumor e criar melhores condições para sua retirada.

Depois da coleta, as células-tronco tumorais são isoladas e multiplicadas em laboratório. A equipe compara a proporção encontrada no início do tratamento com a quantidade observada após a aplicação dos medicamentos.

Segundo a biomédica Suzana Kahn, do CTCel, a análise permitirá verificar se essa população celular sofre alterações durante o tratamento e se a mudança está relacionada à evolução do osteossarcoma.

Uma das hipóteses é que essas células consigam sobreviver à quimioterapia e continuem produzindo novas estruturas cancerígenas. Dessa forma, mesmo com a redução aparente da massa tumoral, um núcleo resistente poderia permanecer ativo.

Paralelamente, os pesquisadores realizam experimentos com camundongos. Células retiradas dos tumores são implantadas nos animais, que também recebem quimioterapia.

O modelo permite observar o crescimento da doença, a invasão de outros tecidos e a ocorrência de metástases em condições controladas. A combinação dos testes em laboratório com o acompanhamento dos pacientes deverá ampliar o conhecimento sobre os mecanismos de resistência do câncer.

Embora correspondam a uma pequena fração do tumor, as células-tronco cancerígenas conseguem gerar outras células que formam a lesão. Por isso, são consideradas uma espécie de reservatório da doença.

A quimioterapia pode destruir grande parte das células tumorais e diminuir a extensão da lesão, mas nem sempre elimina completamente esse grupo mais resistente.

A chefe da Divisão de Pesquisa do Into, Maria Eugênia Duarte, explica que a quantidade dessas células pode estar relacionada à agressividade do osteossarcoma, à resposta aos medicamentos e ao risco de disseminação.

A expectativa é que os resultados sejam utilizados futuramente como uma ferramenta de prognóstico. Os médicos poderiam avaliar, ainda durante o tratamento, se o tumor está reagindo de maneira satisfatória à quimioterapia.

Com informações mais precisas, as próximas etapas poderiam ser definidas de acordo com as características individuais da doença, reduzindo a dependência de critérios gerais aplicados a todos os pacientes.

Pesquisa pode ajudar a preservar braços e pernas

Até a década de 1970, a amputação era praticamente a única alternativa para pacientes diagnosticados com osteossarcoma. A retirada do membro comprometido era realizada na maioria dos casos.

O tratamento começou a mudar nos anos 1980, com a introdução da quimioterapia antes da operação. O uso dos medicamentos permitiu reduzir parte dos tumores e aumentou as possibilidades de cirurgias conservadoras.

Quando há uma boa resposta, os médicos podem retirar a lesão e reconstruir a área afetada com uma endoprótese ou um enxerto ósseo.

A endoprótese substitui uma articulação ou parte do osso removido. O enxerto utiliza tecido ósseo para recuperar a região comprometida.

Apesar dos avanços, alguns pacientes não apresentam uma redução suficiente do tumor. Dependendo da extensão da doença e do comprometimento dos tecidos próximos, a amputação continua sendo necessária.

O ortopedista Walter Meohas, cirurgião do INCA e do Into especializado no tratamento do osteossarcoma, avalia que a pesquisa poderá contribuir para diminuir o número desses procedimentos.

O estudo permitirá observar como as células-tronco tumorais se comportam ao longo do tratamento, algo que ainda não pode ser avaliado de forma satisfatória pelos métodos atualmente utilizados.

No laboratório, a equipe analisa a capacidade de multiplicação, sobrevivência e invasão dessas células. Também procura estimar a participação delas no risco de metástase.

A identificação precoce de sinais de resistência poderá ajudar os médicos a avaliar os efeitos da quimioterapia antes da operação e a escolher estratégias mais adequadas para cada paciente.

O objetivo é aumentar as possibilidades de preservar o membro atingido e reduzir os impactos físicos, emocionais e sociais do tratamento, principalmente entre crianças e adolescentes.

Sintomas podem ser confundidos com dores do crescimento

O osteossarcoma aparece com maior frequência entre os 10 e os 20 anos, fase marcada pelo crescimento acelerado dos ossos.

Aproximadamente metade dos tumores surge na região do joelho. A doença também pode atingir ossos dos braços, das pernas e da coluna. Quando há disseminação, os pulmões estão entre os órgãos mais frequentemente afetados.

Em adultos, o osteossarcoma pode surgir como uma condição secundária, associada a efeitos tardios da radioterapia ou à doença de Paget, que altera o processo de renovação dos ossos.

Entre os sintomas iniciais estão dor persistente e aumento progressivo de volume no local atingido. Esses sinais podem ser confundidos com lesões esportivas, pancadas, dores musculares ou desconfortos relacionados ao crescimento.

Essa semelhança com problemas comuns pode atrasar a procura por atendimento. Dores contínuas, inchaço crescente e alterações ósseas sem causa aparente devem ser avaliados por um profissional de saúde.

O diagnóstico é realizado por meio de exame clínico, radiografia e biópsia. Outros exames de imagem podem ser solicitados para determinar a extensão da lesão e verificar se a doença atingiu outras áreas.

A identificação precoce aumenta as possibilidades de uma cirurgia conservadora. Quanto menor for o tumor no momento do diagnóstico, melhores tendem a ser as condições para sua retirada com preservação do membro.

A taxa de sobrevida em cinco anos é estimada em aproximadamente 64%. Nos casos com metástase, o índice cai para cerca de 50%. Após uma cirurgia conservadora, a possibilidade de retorno do tumor no mesmo local é calculada em aproximadamente 7%.

Os dados reforçam a necessidade de reduzir o intervalo entre os primeiros sintomas, a investigação médica e o início do tratamento.

A pesquisa não deverá substituir imediatamente os protocolos existentes, mas poderá criar uma base científica para terapias mais individualizadas.

Caso a relação entre células-tronco tumorais e resistência à quimioterapia seja confirmada, a quantidade dessas estruturas poderá ser utilizada como indicador do comportamento da doença.

Os resultados também poderão orientar o desenvolvimento de medicamentos capazes de atingir diretamente as células mais resistentes. A eliminação desse reservatório poderia aumentar a eficácia da quimioterapia e diminuir os riscos de recidiva e metástase.

Ao investigar um dos principais mecanismos de resistência do osteossarcoma, os pesquisadores esperam transformar os resultados laboratoriais em tratamentos mais precisos, maior preservação dos membros e melhor qualidade de vida para crianças e adolescentes.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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