As tempestades que levaram o Chile a suspender aulas e reforçar medidas de emergência não devem atravessar a Cordilheira dos Andes e alcançar o Brasil com as mesmas características. Mesmo assim, o Sul brasileiro enfrentará um período de tempo severo, provocado por outra configuração atmosférica.
O sistema que atua no território chileno é alimentado por um corredor de umidade vindo do Oceano Pacífico. No Brasil, a instabilidade prevista para os próximos dias está associada à interação entre uma área de baixa pressão, uma frente fria e o transporte de calor e umidade pelo Jato de Baixos Níveis.
Embora os dois fenômenos ocorram simultaneamente na América do Sul, eles possuem origens e trajetórias diferentes. Portanto, a chuva esperada para os estados do Sul não representa uma continuação direta do rio atmosférico que alcança o Chile.
O Instituto Nacional de Meteorologia mantém avisos de tempestade e vendaval para o Rio Grande do Sul. Os alertas indicam possibilidade de chuva entre 30 e 60 milímetros por hora ou acumulados de 50 a 100 milímetros por dia, rajadas de 60 a 100 quilômetros por hora e queda de granizo.
Chile adota medidas preventivas
O sistema frontal no Chile levou as autoridades a reforçarem a preparação para inundações, deslizamentos, danos nas estradas e interrupções no fornecimento de energia.
O Serviço Nacional de Prevenção e Resposta a Desastres anunciou medidas preventivas em diferentes regiões. As aulas foram suspensas em áreas entre Coquimbo e Maule diante da previsão de chuva volumosa, vento forte e risco de ocorrências associadas ao temporal.
O grande volume de umidade é transportado por um rio atmosférico, nome dado a corredores longos e relativamente estreitos de vapor de água que se deslocam pela atmosfera.
Quando esse fluxo encontra uma barreira montanhosa, o ar úmido é obrigado a subir. O resfriamento provocado pela elevação favorece a condensação do vapor e a formação de nuvens capazes de produzir precipitações intensas.
A Cordilheira dos Andes desempenha papel determinante nesse processo. O relevo concentra grande parte da precipitação no lado chileno e impede que o sistema avance para o interior do continente mantendo a mesma estrutura observada sobre o Pacífico.
Rios atmosféricos também possuem importância para o abastecimento de rios, reservatórios e aquíferos. Quando são muito intensos ou permanecem sobre uma região por tempo prolongado, porém, podem provocar enchentes, deslizamentos e outros desastres.
Sul do Brasil terá outro sistema de umidade
A previsão brasileira está relacionada a uma frente fria e a uma área de baixa pressão atuante entre o norte da Argentina e o Paraguai. Essa configuração favorece a formação e a organização de tempestades sobre o Rio Grande do Sul.
Outro elemento importante será o Jato de Baixos Níveis, uma corrente de ventos que atua geralmente entre um e três quilômetros de altitude e transporta ar quente e úmido da Amazônia para o Centro-Sul da América do Sul.
Esse transporte de umidade também é chamado, em alguns contextos, de rio atmosférico ou rio voador. No entanto, não se trata do mesmo corredor oceânico que alcança o Chile pelo Pacífico.
Quando o Jato de Baixos Níveis encontra uma frente fria, a concentração de calor e umidade aumenta a instabilidade. Essa combinação cria condições para tempestades acompanhadas por descargas elétricas, rajadas intensas e granizo.
O período mais preocupante deverá ocorrer entre sexta-feira (17) e o fim de semana. Os avisos abrangem grande parte do Rio Grande do Sul, incluindo áreas da Região Metropolitana de Porto Alegre.
As tempestades mais fortes poderão provocar alagamentos, quedas de árvores, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia e prejuízos às plantações. Em áreas vulneráveis, o acúmulo de chuva também aumenta o risco de deslizamentos e transbordamento de rios.
Rio Grande do Sul concentra maior risco
O território gaúcho deverá registrar as condições mais severas, especialmente nas áreas onde as tempestades permanecerem organizadas por mais tempo.
A previsão inclui chuva concentrada em períodos curtos, trovoadas, granizo e rajadas que poderão alcançar 100 quilômetros por hora. A Defesa Civil gaúcha também alertou para o risco de fenômenos severos em áreas do oeste, da Campanha e do sul do estado.
Durante as rajadas, a recomendação é permanecer em local protegido e não se abrigar debaixo de árvores. Veículos não devem ser estacionados próximos a placas de propaganda, torres de transmissão ou estruturas que possam cair.
Em caso de risco de inundação, a população deve evitar atravessar ruas alagadas e acompanhar as orientações das autoridades locais. Informações de emergência podem ser solicitadas à Defesa Civil pelo telefone 199 e ao Corpo de Bombeiros pelo número 193.
A ocorrência simultânea de temporais no Chile e no Sul do Brasil pode provocar a impressão de que um único sistema atravessará o continente. A análise meteorológica, entretanto, mostra que os eventos possuem mecanismos distintos.
O rio atmosférico do Pacífico concentra seus efeitos no Chile ao encontrar a Cordilheira dos Andes. No Brasil, a ameaça será produzida pela interação entre a frente fria, a baixa pressão e o transporte continental de umidade.
A ausência de ligação direta com o fenômeno chileno não reduz o risco para o Rio Grande do Sul. A previsão de chuva intensa, granizo e vendavais exige acompanhamento constante dos alertas durante os próximos dias.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
