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Anvisa manda apreender lotes falsificados de Mounjaro vendidos no Brasil

Unidades apresentavam números de série incompatíveis, dispositivos fora do padrão original e erros na rotulagem; comercialização e uso estão proibidos.

redacao Por redacao
13/07/2026 - 17:28
em Canal VIU
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária determinou a apreensão de quatro lotes falsificados do Mounjaro, medicamento à base de tirzepatida. A decisão também proíbe a venda, a distribuição e o uso das unidades atingidas pela medida em todo o território nacional.

A ação foi adotada após a empresa responsável pelo registro do medicamento comunicar que encontrou no mercado produtos com características diferentes das versões originais. As irregularidades envolvem lotes não reconhecidos pela fabricante, números de série incompatíveis, dispositivos de aplicação fora do padrão e erros de grafia nas embalagens.

Lotes proibidos pela Anvisa

A determinação alcança os seguintes produtos:

  • Mounjaro 10 mg
    Lote 855044
  • Mounjaro 15 mg
    Lote D880403
    Lote D854901
    Lote MJR 257

Os lotes 855044 e MJR 257 não foram reconhecidos pela empresa responsável pelo medicamento. No caso do lote D854901, o número de série apresentado era incompatível com a identificação declarada.

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Já as unidades do lote D880403 apresentavam um dispositivo diferente do produto original e um erro de grafia na rotulagem. A palavra “solution”, em inglês, aparecia escrita como “soluction”.

A determinação consta na Resolução RE nº 2.693, de 9 de julho de 2026, publicada no Diário Oficial da União. As unidades identificadas não podem permanecer nas prateleiras, ser distribuídas aos consumidores ou utilizadas por pacientes.

Comércio clandestino amplia riscos

A grande procura por medicamentos associados ao emagrecimento abriu espaço para a atuação de vendedores clandestinos, laboratórios irregulares e redes de falsificação. Os produtos são oferecidos por preços variados, principalmente pelas redes sociais, aplicativos de mensagens e páginas não autorizadas.

Em abril de 2026, a Operação Heavy Pen, realizada pela Polícia Federal com apoio da Anvisa, cumpriu 45 mandados de busca e apreensão em 12 estados. Durante as diligências, os agentes localizaram 3,5 quilos de tirzepatida, quantidade que, segundo a Agência, seria suficiente para produzir mais de 1 milhão de dispositivos injetáveis.

A operação também encontrou mais de 17 mil frascos de tirzepatida manipulados irregularmente, 509 gramas do insumo farmacêutico ativo e mais de 37 mil ampolas de outras substâncias. Notas fiscais analisadas pelas autoridades indicaram cerca de R$ 4,8 milhões em possíveis transações irregulares.

A Anvisa informou ainda que, somente no segundo semestre de 2025, o Brasil recebeu mais de 100 quilos de insumos destinados à manipulação desses medicamentos. O volume seria suficiente para preparar aproximadamente 20 milhões de doses, quantidade considerada incompatível com o mercado regular de produtos manipulados.

Fiscalização em farmácias e importadoras

A Agência vem intensificando as inspeções em farmácias de manipulação, clínicas e empresas importadoras. Entre os problemas identificados estão produção sem demanda individual previamente comprovada, falhas de esterilização, ausência de controle de qualidade e utilização de insumos sem origem ou composição devidamente identificadas.

Em 2026, 11 inspeções realizadas pela Anvisa em farmácias de manipulação e importadoras resultaram em oito interdições por falhas técnicas e falta de controle de qualidade. A Agência também anunciou a revisão das normas aplicadas ao setor e o reforço da cooperação com vigilâncias sanitárias estaduais e municipais.

A manipulação individualizada de medicamentos não está totalmente proibida. O procedimento, entretanto, precisa cumprir as exigências sanitárias, estar vinculado a uma prescrição específica e respeitar padrões rigorosos de esterilidade, pureza e controle de qualidade.

Outros produtos atingidos pela resolução

A Resolução RE nº 2.693 também determinou a apreensão de medicamentos sem registro, notificação ou cadastro sanitário, produzidos por empresas sem autorização de funcionamento.

A medida alcança todos os lotes de produtos como Mounjaro Natumix, Ozempic Natural Natumix, Dia Forte Lótus Nutri, Amora Branca Natumix, Sucupira Natumix, Ora-pro-nóbis Natumix e outros itens atribuídos à PSM Pennaforte Produtos Naturais.

Também foram incluídos produtos da Bálsamos Je’s Suplemento Natural, além do Mega Viril Lótus Nutri, fabricado pela Muwiz Indústria e Laboratório. Esses itens não podem ser fabricados, divulgados, comercializados, distribuídos nem utilizados.

Riscos para a saúde

Medicamentos falsificados podem apresentar dosagens diferentes das informadas, substâncias desconhecidas, contaminação ou falhas no mecanismo de aplicação. Como não há garantia sobre a composição, a esterilidade e a conservação, o consumidor fica exposto a reações adversas e complicações potencialmente graves.

A Anvisa já emitiu alerta sobre o risco de pancreatite aguda associado ao uso indevido de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, grupo que inclui semaglutida, liraglutida e tirzepatida. Esses produtos devem ser utilizados conforme as indicações aprovadas e com acompanhamento de profissional habilitado.

Dor abdominal intensa e persistente, com possibilidade de irradiação para as costas, acompanhada de náuseas e vômitos, exige atendimento médico imediato, pois pode indicar pancreatite. A Agência ressalta que o uso indiscriminado e fora das indicações autorizadas aumenta a probabilidade de efeitos adversos.

Como identificar possíveis irregularidades

Antes de adquirir uma caneta injetável, o consumidor deve desconfiar de preços muito inferiores aos praticados no mercado, embalagens com erros de impressão, ausência de nota fiscal, lacres violados, códigos que não podem ser verificados e produtos oferecidos por vendedores informais.

A compra deve ser realizada em farmácias ou drogarias autorizadas. Desde 2025, a venda de medicamentos agonistas do receptor GLP-1 exige prescrição em duas vias e retenção da receita pelo estabelecimento. O documento tem validade de até 90 dias.

Quem possuir uma unidade pertencente aos lotes proibidos não deve utilizar o produto. A orientação é procurar o estabelecimento onde a compra foi realizada e comunicar a irregularidade aos canais oficiais da vigilância sanitária.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #Anvisa#CanetasEmagrecedoras#Emagrecimento#Fiscalização#MedicamentosFalsificados#Mounjaro#Saude#VigilânciaSanitáriatirzepatida
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