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Dia Mundial do Albatroz chama atenção para a ameaça da pesca incidental, que mata milhares de aves marinhas todos os anos. Conheça as ações de conservação no Brasil.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

Dia Mundial do Albatroz reforça alerta sobre risco de extinção das aves marinhas ameaçadas pela pesca

Captura acidental em atividades pesqueiras mata milhares de albatrozes todos os anos; especialistas defendem ampliação das medidas de conservação e fiscalização no Brasil.

redacao Por redacao
19/06/2026 - 16:44
em Brasil
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Celebrado em 19 de junho, o Dia Mundial do Albatroz chama a atenção para a situação crítica enfrentada por uma das aves marinhas mais emblemáticas do planeta.

Conhecidos por percorrerem enormes distâncias sobre os oceanos, albatrozes e petréis estão entre as espécies mais ameaçadas do mundo, tendo como principal risco a captura acidental durante operações de pesca.

A data marca a entrada em vigor do Acordo para a Conservação de Albatrozes e Petréis, tratado internacional criado para fortalecer a proteção dessas aves e incentivar ações de preservação.

Das 22 espécies de albatrozes existentes no planeta, 11 utilizam regularmente o litoral brasileiro para alimentação e descanso, aproveitando as águas de temperaturas mais favoráveis.

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A maior ameaça à sobrevivência dessas aves está na pesca de espinhel, técnica utilizada na captura de espécies comerciais. O método emprega longas linhas equipadas com centenas de anzóis iscados.

Ao tentarem capturar as iscas que permanecem na superfície antes de afundarem, albatrozes e petréis acabam fisgados e morrem afogados.

Levantamentos apontam que aproximadamente 300 mil aves marinhas são capturadas acidentalmente todos os anos no mundo. Desse total, entre 30 mil e 40 mil são albatrozes e petréis.

No Brasil, cerca de 4 mil albatrozes morrem anualmente, principalmente em operações realizadas nos litorais de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

Para a bióloga Tatiana Neves, fundadora e coordenadora-geral do Projeto Albatroz, o declínio contínuo das populações demonstra que ainda é necessário ampliar a adoção de medidas preventivas nas embarcações pesqueiras.

Segundo ela, apesar dos avanços obtidos em diferentes países, diversas espécies continuam apresentando redução significativa em seus números.

Criado em 1990, o Projeto Albatroz é a única iniciativa brasileira dedicada exclusivamente à conservação dessas aves marinhas.

Desde 2006, a instituição conta com o patrocínio da Petrobras e desenvolve pesquisas, programas de educação ambiental e ações voltadas à redução da captura incidental.

Em 2023, o projeto inaugurou o primeiro Centro de Visitação e Educação Ambiental Marinha do país, em Cabo Frio, na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro.

O espaço oferece atividades educativas, trilhas e áreas de observação para aproximar a população da importância da preservação dos ecossistemas marinhos.

Especialistas apontam três medidas consideradas fundamentais para reduzir a mortalidade das aves durante a pesca de espinhel: realizar o lançamento das linhas apenas no período noturno, utilizar pesos para acelerar o afundamento dos anzóis e instalar o toriline, equipamento composto por fitas coloridas que afasta as aves das iscas enquanto elas permanecem na superfície.

De acordo com Tatiana Neves, a adoção simultânea dessas estratégias pode reduzir em até 90% a captura acidental de albatrozes e petréis.

No entanto, ela destaca que ainda existem desafios para garantir que todas as embarcações cumpram essas recomendações durante as atividades em alto-mar.

No Brasil, a proteção dessas espécies é coordenada pelo Plano de Ação Nacional para a Conservação de Albatrozes e Petréis, desenvolvido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em parceria com o Projeto Albatroz.

A iniciativa busca diminuir os impactos da pesca de espinhel e preservar as áreas utilizadas pelas aves para reprodução e alimentação.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também intensificou as ações de fiscalização. Algumas exigências, como a utilização de pesos nas linhas, podem ser verificadas ainda nos portos.

Já a conferência da pesca noturna e do uso do toriline depende de sistemas de monitoramento das embarcações em alto-mar.

Para ampliar esse controle, o governo brasileiro avalia a implantação de sistemas eletrônicos com câmeras instaladas nos barcos pesqueiros. A tecnologia foi testada pelo Programa Parceiros, do ICMBio, em embarcações dedicadas à pesca de atum que operam em Natal, no Rio Grande do Norte.

A experiência foi apresentada recentemente durante reunião da Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico (ICCAT), realizada em Madri, na Espanha.

Outra ferramenta utilizada é o monitoramento via satélite das embarcações, que permite acompanhar o horário em que os anzóis são lançados ao mar, facilitando a fiscalização do cumprimento das normas de pesca sustentável.

Com envergadura que pode alcançar 3,5 metros, os albatrozes passam a maior parte da vida sobre o oceano, planando por milhares de quilômetros sem retornar à terra por longos períodos.

Por viverem em áreas remotas e raramente serem vistos pela população, essas aves ainda são pouco conhecidas, tornando iniciativas de conscientização e conservação essenciais para garantir sua sobrevivência nas próximas gerações.

*Da Agência  Fonte Exclusiva

Tags: #Albatrozes#AvesMarinhas#Biodiversidade#Conservação#DiaMundialDoAlbatroz#ICMBio#MeioAmbiente#PescaSustentável#Petreis#ProjetoAlbatroz
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