O Dia das Mães, celebrado neste domingo (10), traz um significado marcado pela ausência para milhares de mulheres no Brasil que convivem com o desaparecimento de filhos.
Entre lembranças, incertezas e buscas que se estendem por anos ou décadas, essas mães seguem em uma rotina sustentada pela esperança, mesmo diante da falta de respostas.
Em 2025, o país registrou 84.760 pessoas desaparecidas, número que evidencia a dimensão do problema e o impacto social dessa realidade.
Para muitas famílias, a espera por notícias se torna diária. Há casos recentes e outros que atravessam mais de 20 ou 30 anos, mas o sentimento permanece o mesmo: o desejo de reencontrar um filho e recuperar uma vida interrompida.
Além da dor emocional, muitas dessas mães enfrentam dificuldades institucionais, investigações prolongadas e a sensação de falta de apoio.
Em diversos relatos, a distância das delegacias, a ausência de respostas conclusivas e o impacto psicológico intenso fazem parte da rotina dessas famílias.
A experiência de mulheres que vivem essa realidade também aparece em diferentes formas de expressão cultural, mas, na vida real, o sofrimento ultrapassa qualquer tentativa de representação. Muitas relatam a angústia de viver à espera de uma ligação ou notícia que indique o paradeiro dos filhos.
Entre essas histórias está a de Clarice Cardoso, moradora de uma comunidade quilombola no Maranhão. Seus dois filhos desapareceram após saírem para brincar perto de casa, e desde então a família vive em busca de respostas.
Segundo ela, a vida familiar ficou em suspenso, e cada nova informação reacende a esperança.
O impacto atinge toda a estrutura familiar, envolvendo também outros filhos e parentes, que convivem com a incerteza e a espera constante.
Em São Paulo, a trajetória de Ivanise Espiridião também simboliza essa luta. Há quase 30 anos ela busca a filha desaparecida e transformou a própria dor em mobilização social ao criar o grupo Mães da Sé, que reúne milhares de famílias em situação semelhante e oferece apoio emocional e orientação.
Especialistas apontam que redes de apoio são fundamentais para reduzir o isolamento dessas famílias. Psicólogos destacam que o desaparecimento gera um tipo de sofrimento contínuo, sem encerramento ou resposta definitiva, podendo provocar ansiedade, depressão e outros impactos emocionais.
Ainda assim, a convivência entre famílias que enfrentam situações semelhantes surge como forma de resistência e acolhimento.
Outro exemplo é o de Lucineide Damasceno, que após o desaparecimento do filho adolescente passou a atuar em iniciativas de apoio a outras famílias, criando um espaço voltado à assistência e suporte emocional.
Em muitos casos, o ativismo nasce da própria experiência de dor e da necessidade de transformar o sofrimento em ação coletiva.
*Da Agência Fonte Exclusiva
