A possibilidade de reduzir a distância aérea entre o Brasil e a África Ocidental está em análise pelo governo brasileiro, com foco na criação de voos diretos para Dacar, capital do Senegal.
A iniciativa pretende ampliar o fluxo de turistas e fortalecer as relações comerciais entre os dois lados do Atlântico.
Atualmente, a ausência de rotas diretas obriga passageiros a realizarem conexões longas, frequentemente passando por Dubai, países da Europa ou outros pontos da África, o que aumenta consideravelmente o tempo de viagem.
O cenário contrasta com a curta distância entre Natal e o Senegal, de aproximadamente 2,9 mil quilômetros.
A embaixadora do Brasil no Senegal, Daniella Xavier, afirmou que é preciso romper o que classificou como um “círculo vicioso”, no qual a falta de voos reduz a demanda, e a baixa procura dificulta a criação de novas rotas.
Como alternativa, o governo busca incentivar parcerias entre companhias aéreas, incluindo acordos de codeshare com empresas como a Air Senegal e outras operadoras internacionais, para viabilizar conexões mais eficientes.
Além da logística, Brasil e Senegal compartilham laços históricos e culturais, que remontam ao período do tráfico transatlântico de escravizados, simbolizado por locais como a Ilha de Gorée. As relações diplomáticas entre os dois países foram estabelecidas no início da década de 1960.
No campo econômico, o comércio bilateral também apresenta potencial de crescimento. Em 2025, o intercâmbio entre os dois países alcançou US$ 386,1 milhões, com saldo positivo para o Brasil.
Há espaço, segundo autoridades, para diversificar exportações senegalesas e ampliar investimentos, especialmente em áreas como o agronegócio.
A aproximação inclui ainda cooperação em temas multilaterais, como a defesa de reformas em organismos internacionais, incluindo o Conselho de Segurança da ONU, além de iniciativas voltadas à segurança no Atlântico Sul.
A expectativa é que, com a implementação de voos diretos, as relações comerciais, culturais e diplomáticas entre Brasil e África Ocidental ganhem novo impulso nos próximos anos.
*Da Agência Fonte Exclusiva
