Apesar de avanços recentes, o Brasil ainda enfrenta desafios relevantes no acesso ao saneamento básico.
Dados da PNAD 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mostram que mais de 11,5 milhões de residências utilizam formas inadequadas de destinação de esgoto, como fossas rudimentares, valas ou despejo direto em rios e córregos.
A situação é mais crítica na Região Norte, onde cerca de 2,3 milhões de domicílios enfrentam esse problema. Na região, 39,3% das casas ainda utilizam métodos considerados inadequados — o maior índice do país — superando inclusive o acesso à rede coletora de esgoto.
Em nível nacional, houve melhora gradual. A proporção de domicílios com acesso à rede de esgoto passou de cerca de 68% em 2019 para mais de 71% em 2025. Ainda assim, os dados evidenciam que a universalização do serviço permanece distante.
As desigualdades também aparecem no abastecimento de água. Enquanto mais de 93% das residências urbanas estão conectadas à rede geral, nas áreas rurais esse percentual não chega a 32%.
Nessas regiões, alternativas como poços artesianos são comuns e atendem quase um terço das moradias.
O levantamento também traz um panorama das condições de habitação. As casas continuam sendo maioria, representando mais de 82% dos domicílios, enquanto apartamentos correspondem a cerca de 17%.
Em relação à posse, 60% dos imóveis são próprios e quitados, 6,8% ainda estão sendo pagos, 23,8% são alugados e 8,9% cedidos.
Além disso, a pesquisa aponta mudanças no perfil da população. Entre 2012 e 2025, houve redução na proporção de pessoas que se declaram brancas e aumento entre aquelas que se identificam como pretas, com destaque para mudanças observadas na Região Sul.
Outro dado relevante é o envelhecimento populacional. Em 2025, pessoas com 60 anos ou mais representam 16,6% da população brasileira, reforçando a tendência de transformação demográfica no país.
Com base em informações coletadas em cerca de 168 mil domicílios, a PNAD Contínua indica que, apesar de avanços em infraestrutura e serviços, o Brasil ainda convive com desigualdades regionais e desafios estruturais que impactam diretamente a qualidade de vida da população.
*Da Agência Fonte Exclusiva
