O Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026), realizado nesta quarta-feira (18), recebeu críticas de organizações ambientais e de defesa do consumidor devido à predominância de usinas movidas a combustíveis fósseis.
O leilão contrata empreendimentos que ficam de prontidão para suprir o Sistema Interligado Nacional (SIN) em momentos de pico de demanda ou emergências.
De acordo com o Instituto Internacional Arayara, entre os 100 projetos vencedores, apenas cinco são hidrelétricas (9,5 GW), enquanto 90 são termelétricas a gás natural (18,7 GW), três a carvão mineral (1,4 GW) e duas a biogás (9,2 MW).
O Arayara alertou que a presença de usinas a carvão vai na contramão dos compromissos climáticos do Brasil e criticou a baixa flexibilidade dessas usinas, já que o tempo de partida a frio pode chegar a oito horas.
A Frente Nacional de Consumidores de Energia (FNCE) destacou que a priorização de fontes mais poluentes e caras pode gerar custo anual de R$ 39 bilhões e aumento médio de 10% nas contas de luz. Segundo a entidade, haverá impactos na inflação e aumento das emissões de gases de efeito estufa.
O Instituto Nacional de Energia Limpa (INEL) contestou o leilão junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), alegando que os custos de operação e manutenção das termelétricas contratadas superam as referências do Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, podendo gerar prejuízos entre R$ 190 bilhões e R$ 510 bilhões em dez anos. O pedido de impugnação foi negado.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu o leilão, afirmando que ele garante segurança energética, tarifas menores e complementaridade para a expansão de fontes renováveis.
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica reforçou que a contratação de potência assegura estabilidade do sistema, especialmente em períodos de baixa hidrologia.
Outro leilão está previsto para sexta-feira (20), desta vez para contratação de energia gerada por termelétricas a óleo diesel, óleo combustível e biodiesel.
*Da Agência Fonte Exclusiva
