A ofensiva militar conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã provocou forte instabilidade nos mercados internacionais de energia e aumentou as preocupações sobre o fornecimento global de petróleo e gás natural.
O foco da tensão está no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. A passagem liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e é responsável pelo transporte diário de aproximadamente 21 milhões de barris de petróleo, o equivalente a cerca de 20% de todo o comércio mundial da commodity.
Segundo análises divulgadas por correspondentes internacionais, o Irã produz cerca de 3,1 milhões de barris por dia, representando aproximadamente 3% do consumo global. O país também exerce influência direta sobre o estreito, fator que amplia o impacto geopolítico do conflito.
Ameaças e incertezas sobre o trânsito marítimo
Autoridades iranianas indicaram que embarcações norte-americanas poderiam ser impedidas de atravessar o Estreito de Ormuz e o Golfo Pérsico. Apesar das declarações, petroleiros continuam cruzando a região até o momento, embora sob forte tensão.
Cerca de 150 navios aguardam autorização para atravessar a área, enquanto empresas marítimas internacionais passaram a rever suas operações por questões de segurança.
Neste domingo (1º), um petroleiro com bandeira de Palau foi atingido por bombardeio próximo à costa de Omã, deixando ao menos quatro pessoas feridas e aumentando o temor de interrupções no fluxo energético mundial.
Companhias suspendem rotas comerciais
Grandes empresas de navegação anunciaram mudanças imediatas em suas operações:
- a alemã Hapag-Lloyd suspendeu travessias pelo Estreito de Ormuz até novo aviso;
- a francesa CMA CGM interrompeu passagens pelo Canal de Suez;
- a japonesa Nippon Yusen orientou sua frota a evitar a região;
- a dinamarquesa Maersk passou a redirecionar cargas pelo trajeto mais longo ao redor da África.
As medidas indicam preocupação crescente do setor logístico com riscos militares e possíveis ataques a embarcações comerciais.
Impacto nos preços do petróleo
Países exportadores, incluindo Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã, Argélia e Cazaquistão, realizaram reunião virtual e anunciaram aumento superior a 200 mil barris por dia na produção, numa tentativa de estabilizar o mercado.
Especialistas alertam que qualquer bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz pode provocar disparada nos preços do petróleo. O barril Brent já apresentou alta recente, enquanto o West Texas Intermediate também registrou valorização.
Analistas do setor energético avaliam que o petróleo pode ultrapassar a marca de 100 dólares por barril caso a circulação marítima seja comprometida, cenário semelhante ao observado no início da guerra na Ucrânia em 2022.
Escalada militar e reação internacional
A crise energética ocorre após Israel lançar ataques de grande escala contra alvos iranianos, alegando neutralizar ameaças estratégicas. Os Estados Unidos confirmaram participação na ofensiva, intensificando o confronto regional.
Durante os bombardeios, o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, e altos oficiais do governo morreram, segundo autoridades locais. Em resposta, o Irã lançou ondas de mísseis contra Israel e contra bases militares norte-americanas no Oriente Médio.
Rússia e China condenaram os ataques, classificando a ação como inaceitável e alertando para riscos à estabilidade internacional.
A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que prepara uma ofensiva considerada a mais intensa da história recente do país, elevando o temor de uma guerra regional com impactos econômicos globais.
Especialistas destacam que o conflito ameaça o fluxo comercial marítimo e pode provocar desaceleração econômica mundial caso a crise energética se prolongue.
*Da Agência: Fonte Exclusiva
