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Cada vez mais pessoas descobrem o TDAH na fase adulta. Saiba por que os diagnósticos aumentaram e o que mudou na medicina.

Imagem | Reprodução

Diagnóstico tardio: por que o TDAH só aparece para muitos depois dos 20

Transtorno sempre existiu, mas só agora está sendo reconhecido com mais precisão

Redação Por Redação
05/01/2026 - 19:45
em Saúde
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Durante décadas, o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) foi associado quase exclusivamente à infância. A imagem mais comum era a da criança inquieta, incapaz de ficar parada ou se concentrar. Hoje, esse entendimento mudou — e os números ajudam a explicar por quê: cada vez mais pessoas estão recebendo o diagnóstico apenas na vida adulta.

Mara, nome fictício, é uma delas. Na escola, nunca teve grandes dificuldades acadêmicas. As notas vinham sem esforço aparente. O problema surgiu na faculdade, quando a exigência por autonomia, organização e concentração se intensificou. Enquanto colegas conseguiam manter rotinas de estudo, ela se distraía com facilidade e acumulava tarefas. “Percebi que algo não estava funcionando”, conta.

O diagnóstico veio de forma indireta, após um episódio depressivo e tentativas frustradas de tratamento. Foi a psiquiatra quem sugeriu investigar TDAH. A confirmação trouxe alívio. “Entendi que não era falta de esforço, mas uma forma diferente de funcionamento do cérebro”, relata. Mara tinha pouco mais de 20 anos quando recebeu o diagnóstico.

Casos como o dela estão longe de ser exceção.

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Diagnósticos em alta, mas não necessariamente novos casos


Estudos internacionais indicam que entre 2% e 3% da população adulta convive com TDAH. Em alguns países, porém, os registros oficiais ainda são bem menores. Na Alemanha, por exemplo, dados de planos de saúde apontavam até recentemente taxas entre 0,2% e 0,4%.

Um estudo publicado na revista Ärzteblatt International reacendeu o debate ao mostrar que, entre 2015 e 2024, a incidência de novos diagnósticos de TDAH em adultos quase triplicou no sistema público alemão, saltando de 8,6 para 25,7 casos a cada 10 mil pessoas. Tendência semelhante é observada em outros países. Nos Estados Unidos, o número de adultos diagnosticados mais que dobrou nas últimas duas décadas.

Para especialistas, isso não significa que o TDAH esteja se tornando mais comum, mas que está sendo reconhecido com mais precisão. “O transtorno sempre esteve ali, mas muitos adultos passaram a vida inteira sem diagnóstico”, explica Swantje Matthies, psiquiatra e terapeuta comportamental do Hospital Universitário de Freiburg.

O mito do TDAH como transtorno infantil


Hoje se sabe que o TDAH tem forte componente genético — cerca de 80% — e está presente desde o nascimento. A diferença é que os sintomas se manifestam de formas distintas ao longo da vida e entre os gêneros.

Cada vez mais pessoas descobrem o TDAH na fase adulta. Saiba por que os diagnósticos aumentaram e o que mudou na medicina.
Imagem | Reprodução

Enquanto meninos tendem a apresentar hiperatividade e impulsividade mais visíveis, meninas frequentemente manifestam desatenção, comportamento introspectivo e dificuldade de organização, sinais que costumam passar despercebidos ou ser confundidos com ansiedade e depressão. Isso ajuda a explicar por que muitas mulheres só recebem o diagnóstico na juventude ou na vida adulta.

Além disso, os sintomas mudam com o tempo. A hiperatividade física pode dar lugar a uma inquietação interna persistente, enquanto as dificuldades de atenção continuam impactando estudos, trabalho e relações pessoais.

Como é feito o diagnóstico em adultos


Identificar TDAH na vida adulta é um processo complexo. Não existe um exame único ou teste definitivo. O diagnóstico se baseia em entrevistas clínicas detalhadas, questionários padronizados e na reconstrução da história de vida do paciente.

Um critério central é a presença dos sintomas antes dos 12 anos de idade e sua persistência ao longo do tempo, causando prejuízos funcionais. “Isso é difícil de avaliar retrospectivamente”, explica Matthies. “Nem todos se lembram com clareza de como eram na infância.” Por isso, boletins escolares, relatos familiares e documentos antigos podem ajudar.

Também é essencial descartar outras condições psicológicas, já que ansiedade, depressão e distúrbios do sono, por exemplo, também afetam a concentração.

Por que mais pessoas estão buscando diagnóstico agora?


Os pesquisadores apontam diversos fatores para o aumento dos diagnósticos. Entre eles, maior conscientização da sociedade, mudanças nos critérios diagnósticos e o impacto da pandemia de covid-19 na saúde mental, que levou mais pessoas a procurar ajuda especializada.

As redes sociais também desempenham um papel relevante ao ampliar o debate sobre o tema. Relatos pessoais ajudam a reduzir o estigma, mas o excesso de conteúdos simplificados ou imprecisos pode gerar confusão. “A informação é positiva, mas é preciso cautela”, alerta Matthies.

O que muda com o diagnóstico — e o que não muda
Para muitas pessoas, o diagnóstico representa um divisor de águas. Ele ajuda a compreender dificuldades antigas, orienta tratamentos mais eficazes e reduz a autocrítica. Terapia comportamental, medicação e estratégias personalizadas costumam trazer melhorias significativas.

Mara afirma que sua vida se tornou mais administrável após o diagnóstico. Ao mesmo tempo, ela passou a valorizar características associadas ao TDAH, como o hiperfoco — períodos de concentração intensa —, criatividade e capacidade de fazer conexões rápidas. “Essas também são forças”, diz.

Especialistas reforçam que o TDAH existe em um espectro e não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas. Enquanto alguns transformam suas características em recursos, outros enfrentam dificuldades diárias e precisam de apoio contínuo.

Uma sociedade mais inclusiva


Para Matthies, ainda falta preparo social e profissional para lidar com o TDAH. Ambientes de trabalho rígidos, excesso de estímulos e pouca flexibilidade tendem a agravar os desafios. “Seria importante criar espaços onde as pessoas possam usar seus pontos fortes”, defende.

Mara concorda. Para ela, mudanças como ambientes menos estimulantes e horários mais flexíveis beneficiariam não apenas quem tem TDAH, mas um número muito maior de pessoas. “No fim das contas, é uma questão de inclusão”, conclui.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #BemEstarMental#DiagnósticoTardio#Neurodivergência#PsicologiaClínica#Saude#SaúdeMental#SaúdePsicológica#TDAH#TDAHEmAdultos#TranstornosNeuropsiquiátricos#VidaAdultaConscientização
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