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Sistema eletrônico de votação completa 30 anos e reforça segurança nas eleições.

Reprodução | Divulgação

Segurança do voto, ciberataques e clima: os alertas da Abin para 2026

Relatório alerta para uso de IA em ataques autônomos, vulnerabilidades tecnológicas e guerra de desinformação

Redação Por Redação
02/12/2025 - 09:50
em Brasil
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A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) divulgou, nesta terça-feira (2), um relatório que antecipa os principais riscos à segurança do Estado e da sociedade para 2026. Entre os pontos considerados mais sensíveis estão a proteção do processo eleitoral e o avanço de ataques cibernéticos potencializados por inteligência artificial.

No próximo ano, o Brasil realizará eleições gerais para presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais. Nesse contexto, a Abin avalia que a integridade do pleito estará exposta a ameaças complexas, marcadas especialmente por tentativas de deslegitimar instituições democráticas, campanhas massivas de desinformação e atuação de grupos organizados em territórios sob sua influência. O risco de interferência externa com objetivos geopolíticos também é citado como fator de preocupação.

O documento “Desafios de Inteligência – Edição 2026” tem o objetivo de orientar a Presidência da República e outros órgãos de governo na formulação de políticas públicas e na proteção de informações consideradas sensíveis. Para isso, a Abin contou com a colaboração de especialistas de universidades, centros de pesquisa e órgãos governamentais, que contribuíram com análises sobre clima, tecnologia, demografia, saúde, migrações e cenários internacional e regional.

O relatório destaca cinco eixos principais de risco para o país: segurança do processo eleitoral; transição para a criptografia pós-quântica; ataques cibernéticos autônomos com agentes de inteligência artificial; reconfiguração das cadeias globais de suprimento; e dependência tecnológica, inclusive em relação a atores não estatais e à interferência de potências estrangeiras.

Ao apresentar o documento, o diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, afirmou que as tendências já apontadas para 2025 — como agravamento da crise climática, mudanças demográficas aceleradas, corrida tecnológica e competição entre grandes potências — ganharam ainda mais relevância ao longo do ano. Para ele, a combinação de fatores ambientais, econômicos e políticos reforça a necessidade de monitoramento constante.

Na avaliação da agência, o cenário global é marcado por uma multipolaridade instável, com forte disputa estratégica entre Estados Unidos e China. Nesse ambiente, a competição tecnológica, especialmente no campo da inteligência artificial, é vista como um dos motores da reconfiguração da ordem internacional. A Abin ressalta que o domínio digital se tornou uma arena central da disputa geopolítica, na qual grandes empresas de tecnologia funcionam como extensões de interesses de seus países de origem.

O relatório aponta que a soberania digital brasileira é um desafio crítico. O país ainda é fortemente dependente de equipamentos de hardware importados e de serviços prestados por grandes plataformas estrangeiras, que concentram dados e infraestrutura em nuvem. Segundo a agência, essa dependência representa vulnerabilidade estratégica e abre espaço para espionagem, manipulação de informações e interferência em decisões nacionais, fenômenos relacionados ao que chama de “guerra cognitiva”.

No campo da segurança cibernética, a Abin adverte para o potencial de evolução da inteligência artificial como ferramenta ofensiva. Sistemas autônomos podem ser capazes de planejar, executar e adaptar ataques digitais em grande escala, elevando o risco de incidentes que ultrapassem o ambiente virtual e cheguem a gerar crises militares ou diplomáticas.

Outro ponto sensível é a necessidade de adaptação da criptografia à computação quântica. A agência projeta que, em um horizonte de 5 a 15 anos, a tecnologia quântica poderá tornar ultrapassados os modelos atuais de criptografia de chave pública, exigindo a adoção de algoritmos pós-quânticos desenvolvidos com menor dependência de soluções estrangeiras. A Abin afirma já contar com equipes especializadas nessa área e considera a criptografia um pilar da segurança governamental, especialmente em comunicações sigilosas e transações digitais.

O relatório também analisa a reconfiguração das cadeias globais de suprimento, impulsionada pela ascensão da China, pela disputa econômica com os Estados Unidos e pelos efeitos da pandemia de covid-19. Para o Brasil, o texto ressalta uma “dupla dependência”: de um lado, o superávit comercial sustentado pela venda de commodities para a China; de outro, a necessidade de capital e tecnologia ocidentais, sobretudo de origem norte-americana, para investimentos em diversos setores.

Em relação ao clima, a Abin lembra que o aquecimento global segue em ritmo acelerado e cita 2024 como o ano mais quente da série histórica, com temperatura média superior em 1,5°C à do período pré-industrial. A agência observa que eventos extremos, como a seca severa na Amazônia e as enchentes no Rio Grande do Sul, tornaram-se mais frequentes e provocam perdas econômicas anuais estimadas em bilhões de reais, com impactos relevantes sobre infraestrutura, produção e população.

Diante desse conjunto de fatores, o documento recomenda que o Estado brasileiro acompanhe de perto as transições nos campos climático, demográfico e tecnológico, reforçando a capacidade institucional para prevenir riscos e responder a crises. A aposta da Abin é que diagnósticos antecipados ajudem a proteger o processo democrático, a infraestrutura crítica e a posição estratégica do país em um cenário internacional em rápida transformação.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #Abin#Big Techs#Desinformação#Eleições 2026#Geopolítica#Inteligência Artificial#Mudanças Climáticasataques cibernéticoscadeias de suprimentocriptografia pós-quânticasegurança nacionalsoberania digital
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