O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) comentou neste sábado (22) a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, sugerindo que a tentativa de abertura da tornozeleira eletrônica pode ter ocorrido por curiosidade ou durante um possível surto. Em entrevista à Band, afirmou não saber o que provocou o alerta registrado pelo equipamento, mas acusou o Judiciário de impor ao pai o que classificou como “tortura psicológica”.
Para o parlamentar, a hipótese de fuga não se sustenta. Ele destacou que a residência onde Bolsonaro cumpria prisão domiciliar era monitorada de forma contínua por agentes da Polícia Federal, o que, segundo ele, inviabilizaria qualquer tentativa de retirada do equipamento sem detecção imediata. Eduardo também citou um episódio envolvendo o ex-presidente Fernando Collor, que enfrentou problemas técnicos com sua tornozeleira sem ter sido alvo de ordem de prisão, e voltou a acusar o ministro Alexandre de Moraes — sem apresentar evidências — de atuar com motivação política.
A prisão preventiva foi decretada após a Polícia Federal registrar, à 0h07 de sábado, um alerta indicando tentativa de violação da tornozeleira. Moraes também considerou que a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro poderia gerar aglomeração e dificultar o cumprimento de eventuais ordens judiciais, o que, combinado ao alerta eletrônico, aumentaria o risco de fuga.
Horas após a decisão, a defesa de Bolsonaro se manifestou publicamente. O advogado Paulo Cunha Bueno classificou a tornozeleira como uma medida destinada a “humilhar” o ex-presidente, chamando o monitoramento de “versão moderna de pena infamante”. Argumentou ainda que a tese de fuga é infundada, já que Bolsonaro vive sob vigilância constante, com agentes armados posicionados diante de sua casa, e nunca deixou de responder às demandas da Justiça.
O advogado também citou o estado de saúde do ex-presidente, que descreveu como frágil devido às sequelas da facada de 2018, e questionou a coerência entre o tratamento dado a Bolsonaro e o de Collor, que cumpre prisão domiciliar por razões médicas.
A Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal confirmou posteriormente que o alerta de violação foi emitido após Bolsonaro utilizar um ferro de solda para tentar abrir o dispositivo, levando Moraes a exigir que a defesa se manifestasse em 24 horas.
A tentativa de violação ocorreu pouco antes da convocação de uma vigília religiosa perto da residência do ex-presidente. Moraes avaliou que o ato poderia gerar tumulto e, somado à manipulação do equipamento, reforçar o risco de fuga, justificando a conversão da prisão domiciliar em preventiva.
Condenado a 27 anos e 3 meses por liderar uma organização criminosa envolvida em tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro foi levado para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde aguarda a audiência de custódia marcada para domingo.
*Da Agência Fonte Exclusiva
