A vitória do partido “A Liberdade Avança” nas eleições legislativas argentinas, realizadas neste domingo (26), representa um marco no governo de Javier Milei. O resultado garante ao presidente maior estabilidade política no Congresso e abre espaço para a aprovação de reformas econômicas e fiscais que vinham encontrando resistência desde o início de sua gestão.
O pleito renovou metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado, transformando-se em uma espécie de referendo sobre o segundo ano de governo do economista ultraliberal. Com o bom desempenho nas urnas, Milei conquistou capacidade de barrar eventuais derrubadas de vetos presidenciais e consolidou sua influência no Legislativo.
“Hoje começa a construção de uma Argentina livre e próspera. O povo argentino decidiu romper com 100 anos de decadência e dizer ‘basta ao populismo’”, declarou Milei em discurso na capital Buenos Aires, ao comemorar o resultado.
Segundo a doutora em estudos estratégicos Priscilla Mendes, o avanço do partido amplia a força do governo no Congresso e muda o equilíbrio político. “A legenda de Milei alcançou 101 deputados, enquanto a oposição peronista perdeu espaço. Isso fortalece o Executivo, mas também impõe o desafio de transformar a vitória em resultados concretos”, explicou.
A eleição ocorreu em meio a um cenário econômico delicado, marcado por inflação alta, desvalorização do peso e denúncias de corrupção. Mesmo com dificuldades regionais — como a derrota em Buenos Aires no mês anterior —, o governo conseguiu recuperar fôlego político. Analistas apontam que o apoio financeiro de cerca de US$ 20 bilhões oferecido por Washington e a compra de pesos pelo Tesouro norte-americano contribuíram para estabilizar o cenário e impulsionar a campanha dos aliados de Milei.
Com o novo equilíbrio legislativo, “A Liberdade Avança” passa a controlar cerca de um terço das cadeiras do Congresso, posição que garante poder de veto e maior liberdade para implementar sua agenda de austeridade e liberalização econômica. Entre as prioridades estão reformas tributárias, trabalhistas e cortes no gasto público.
Para o internacionalista Matheus Marreiro, da Universidade Federal Fluminense (UFF), a conquista dá fôlego político, mas exige articulação. “Milei ainda não tem maioria absoluta. As negociações com partidos aliados serão essenciais para viabilizar mudanças mais profundas. Estes dois anos até 2027 serão decisivos para consolidar seu projeto”, afirmou.
O governo dos Estados Unidos parabenizou Milei pela vitória. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, classificou o resultado como “um mandato renovado para a mudança” e destacou o papel estratégico da Argentina nas relações com a América Latina.
Dentro da Casa Rosada, Milei já sinalizou ajustes em sua equipe. Ministros como Luis Petri e Patricia Bullrich devem deixar o gabinete até dezembro, enquanto figuras próximas, como sua irmã Karina Milei e o assessor Santiago Caputo, seguem com papel central na articulação política.
“Esse é o começo de uma nova fase”, disse o presidente. “Com o respaldo popular, poderemos acelerar as reformas que o país precisa para crescer.”
Com o Legislativo mais alinhado ao governo, Milei ganha a oportunidade de transformar promessas em medidas concretas. A consolidação dessa base política será decisiva para definir não apenas o futuro econômico da Argentina, mas também o rumo da próxima disputa presidencial em 2027.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
