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Neves intensifica ataques a Freixo, que direciona investidas contra Castro

redacao Por redacao
15/09/2022 - 09:32
em Cidades
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Diante do cenário das pesquisas de intenção de votos mais recentes, que mostram uma arrancada de Cláudio Castro (PL) na primeira posição, e Marcelo Freixo (PSB) em segundo, com boa vantagem em relação aos demais, o candidato do PDT, Rodrigo Neves, aumentou os ataques contra o rival pessebista.

Neves e Freixo disputam uma faixa do eleitorado parecida, e o pedetista mira aumentar a rejeição do adversário para tentar se posicionar como o mais viável num segundo turno contra Castro.

A tática de Freixo tem sido outra: para não dar visibilidade a um concorrente que está bem atrás (15 pontos de diferença, segundo o Ipec) e não deixar as desavenças entre os dois esquentar a ponto de inviabilizar uma aliança no segundo turno, o candidato do PSB tem evitado reagir, centrando fogo no governador. De acordo com a pesquisa Ipec divulgada na última semana mostrou Freixo na segunda colocação, com 22%, atrás somente do atual governador (37%) e à frente de Neves (terceiro, com 7%), o que explica a maior agressividade do ex-prefeito de Niterói.

O principal embate direto entre Freixo e Neves aconteceu no único debate entre candidatos ao governo até agora, em 7 de agosto, promovido pela Band. Neves disse que Freixo atuava “em favor dos black blocs” — grupo acusado de vandalismo nas manifestações de junho de 2013. O pessebista devolveu ao citar “relações nebulosas de políticos com empresários de ônibus”.

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No fim de 2018, Neves foi citado em delação na Operação Lava-Jato e chegou a ser preso por três meses, acusado de corrupção com empresários do setor de transportes. O processo foi encerrado este ano por falta de provas

Na saída, depois do debate, também houve troca de farpas. Freixo disse que “não dá para ficar fazendo fake news e galhofa porque está preocupado com as pesquisas” e Neves afirmou que os ataques recebidos mostravam “preocupação com o crescimento” de sua candidatura.

Desde então, as investidas do candidato do PDT contra Freixo são semanais, nas redes e em agendas no Rio. Sua estratégia tem se baseado em dois pilares para crescer: explorar os eleitores indecisos e conquistar votos dos dois adversários à sua frente — do pessebista em especial.

O ataque mais recente foi anteontem, em sabatina no RJ1, da TV Globo. Questionado sobre suas propostas para a segurança e o combate ao crime organizado, Neves colocou Freixo como o “candidato preferido do tráfico”.

— O deputado Freixo defendeu a vida toda a liberação das drogas, o fim da PM e a anistia para criminosos. Quem que o tráfico está torcendo, neste momento, para ganhar a eleição? — disparou.

Freixo, sabatinado ontem, não comentou a afirmação.

Há cerca de um mês, a estratégia de tentar relacionar Freixo ao tráfico de drogas já havia sido usada, embora Neves tenha recuado em seguida. Quando o pessebista fez viagem ao México, para conhecer projeto social e de segurança pública em Iztapalapa, ele classificou como “estranha” a presença em “região dominada pelo narcotráfico”. Depois, Neves apagou o post original e o republicou, sem referência ao narcotráfico.

Outra frente da estratégia de Neves está na tentativa de se vender como “bom gestor”, pela aprovação conquistada com seus dois mandatos como prefeito de Niterói, em contraste com a trajetória política de Freixo, que nunca exerceu cargos no Executivo — apenas no Legislativo.

Em vídeo compartilhado nas redes sociais, por exemplo, a campanha de Neves questiona se pessoas nas ruas contratariam profissionais sem experiência para cargos importantes: um “técnico que nunca treinou nenhum time” para o clube do coração, uma cirurgia com “um médico que nunca operou”, ou uma causa judicial com um “advogado que não tem experiência nenhuma”. Diante da resposta negativa, o pedetista então compara o cenário com a posição de Freixo — segundo ele, alguém “que nunca governou nada” — sem citar o nome do pessebista.

Neves também tenta desqualificar a guinada ao centro do adversário, que anunciou ter mudado de posição sobre a legalização das drogas.

— A vida toda ele pregou a liberação das drogas. Recentemente disse que mudou e não é mais a favor da liberação das drogas. Sempre se colocou na defesa dos direitos humanos, e tem ficado calado diante das chacinas do Jacarezinho, da Vila Cruzeiro — disse.

A afirmação foi uma das poucas que teve resposta de Freixo. No dia seguinte, no mesmo espaço, Freixo preferiu destacar sua “luta pelos direitos humanos”.

A avaliação da campanha de Freixo é de que não faz sentido “jogar o jogo” e responder às críticas de Neves, que está atrás nas pesquisas, porque isso daria visibilidade ao adversário. Ao mesmo tempo, o entendimento é de que é natural que o pedetista o ataque, já que precisa crescer.

Além disso, Freixo tem espelhado, na esfera estadual, a estratégia adotada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em nível nacional. Ao mesmo tempo em que o petista evita revidar aos ataques constantes de Ciro Gomes, porque espera contar com seu apoio em eventual segundo turno, Freixo tem deixado o caminho aberto para Rodrigo Neves.

A intenção ficou clara após aceno feito no mês passado, em agenda de campanha. Quando perguntado sobre uma possível resposta às ofensivas feitas por Neves, o deputado provocou o adversário dizendo que é comum de quem está atrás atacar, mas que no segundo turno os dois poderiam estar juntos.

— A gente fez a maior aliança que o campo progressista e democrático já fez. Uma força capaz de disputar a eleição, ganhar e de governar. E a gente queria, inclusive, que o PDT tivesse junto, mas não tenho dúvida que estaremos juntos no segundo turno e no Governo — declarou Freixo.

As informações são do EXTRA.

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